Monday 11th December 2017,
Soweto Gospel Fans

In every song thrown to the heavens, celebrate the union and the freedom

The below article was posted on Ponto Final, a Portuguese language website based in Macau. I have included the original Portuguese text below and a very basic translation done online into English below it.

Text: Sílvia Gonçalves
Photography: Eduardo Martins
Source: Ponto Final
Date: October 27, 2017

Original Portuguese text:

Em cada cântico atirado aos céus, celebrar a união e a liberdade

O Soweto Gospel Choir, de África do Sul, estreou-se ontem em Macau, com um concerto na Fortaleza do Monte, enquadrado no programa do XXXI Festival Internacional de Música. Horas antes do espectáculo, alguns dos cantores do colectivo, formado por mais de meia centena de músicos, falaram com a imprensa sobre a matriz de um projecto que celebra a liberdade e a reconciliação, para honrar o legado de Nelson Mandela.

Em cada palavra, entoada em uníssono, perpetua-se a mensagem de Nelson Mandela. Em cada melodia, atirada ao alto com uma projecção vocal desmedida, renova-se a luta contínua pela liberdade e igualdade entre os homens, que a segregação racial, imposta pelo apartheid na África do Sul, durante longos anos tratou de amordaçar. É no embalo de um novo tempo que surge, em 2002, o Soweto Gospel Choir, um agrupamento com mais de 50 músicos que leva ao mundo uma multiculturalidade que ganha expressão nas onze línguas oficiais que atravessam o país. Entre o gospel africano, os espirituais negros e o reggae, define-se a vocação artística de um coro que, num ainda curto tempo de vida, arrecadou já dois Grammys, um Emmy e a nomeação para um Óscar. A estreia em Macau do coro formado no Soweto aconteceu na noite de ontem, com um concerto na Fortaleza do Monte. Horas antes, alguns dos seus músicos apresentaram-se à imprensa como embaixadores de um país onde a música os fez acreditar que um dia seriam livres.

“Estamos aqui para partilhar a nossa música e dança, a nossa fé em Deus, para partilhar tudo o que está a acontecer no Soweto. O nosso coro é conhecido por ser diverso, nós cantamos quase todos os tipos de música, talvez porque partilhamos o palco com pessoas como Stevie Wonder, Queen, Aretha Franklin, Jimmy Cliff, experimentamos todos os estilos. Por isso é que no nosso novo álbum, ‘Faith’, incluímos esse tipo de música”, começa por introduzir Diniloxolo Ndalkuse, director musical do Soweto Gospel Choir.

É também o legado de Nelson Mandela que o coro diz celebrar. A ligação com aquele que foi prisioneiro de um regime de segregação racial, Presidente de uma África do Sul que empurrou para a liberdade, traduz-se na devoção que atravessa o colectivo: “Quando falamos de Nelson Mandela, falamos de um ícone, falamos de um homem que lutou pela África do Sul, falamos de alguém que influenciou a juventude a concentrar-se na política e na educação e no que é a África do Sul. O primeiro Grammy que ganhámos, em 2007, levamo-lo a ele, porque acreditamos que era com ele que devíamos partilhar o momento, para que ele visse o que fazemos quando vamos para o estrangeiro”, recorda Shimmy Jiyane, maestro do coro e coreógrafo. Shimmy refere ainda a ligação do colectivo à Fundação Nelson Mandela, nomeadamente no trabalho que esta desenvolve junto das crianças: “É como o coro está a retribuir à comunidade, é como nos juntamos a ele. Quando vamos para o exterior, os jovens podem ver o que fazemos e perceber que podem fazer algo assim”.

Todos os membros presentes cresceram ainda com o Apartheid, política de segregação racial instituída na África do Sul entre 1948 e 1994. Shimmy Jiyane dá conta do muito que mudou desde então, depois das eleições democráticas vencidas pelo Congresso Nacional Africano, sob a liderança de Nelson Mandela: “Podemos viajar. Podemos cantar para muitas pessoas no mundo inteiro. O país acolheu um campeonato do mundo de futebol, as oportunidades abriram-se para todos no país, a nossa música chega a outros países, a música tornou-se global, as pessoas podem ver o que a África do Sul tem para dar. Nos nossos espectáculos cantamos em seis línguas, apresentamos às pessoas todas essas línguas e a música que nunca ouviram”.

“O QUE NOS FAZÍA ACREDITAR QUE UM DIA SERÍAMOS LIVRES ERA A MÚSICA”

Na música que difunde os evangelhos revela-se a dimensão de fé, nas suas múltiplas leituras, a que o país está vinculado, conta Siya, um dos cantores: “A África do Sul é um país muito espiritual, sendo diverso, com todas estas culturas, com cada clã, sendo assim espiritual, cada um de nós cresceu numa igreja diferente. O gospel foi a nossa primeira língua, crescemos com isso, os nossos pais e vizinhos faziam-no em diferentes igrejas. É o que o gospel significa para nós”.

A música, garante outro dos membros do grupo, esteve sempre lá, mesmo quando quem os governava entendia que nem a todos deveria ser concedida a mesma dignidade: “O que nos fazia acreditar que um dia seríamos livre era a música. Quando não sabíamos o que iria acontecer no dia seguinte, se seríamos mortos, o que nos mantinha positivos quanto à vida era que continuávamos a cantar, a acreditar. E quando cantávamos, cantávamos gospel”, conta Mulalo Mulovhedzi, também cantor e bailarino.

Sempre lutaram pela liberdade através da música, é ainda por ela que lutam hoje? “Pela unidade”, diz Phumia Mkhumele

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Online English translation:

In every song thrown to the heavens, celebrate the union and the freedom

Soweto Gospel Choir, from South Africa, premiered yesterday in Macao, with a concert at Fortaleza do Monte, part of the program of the XXXI International Music Festival. Hours before the show, some of the group’s singers, made up of more than 50 musicians, spoke to the press about the matrix of a project celebrating freedom and reconciliation to honor Nelson Mandela’s legacy.

In every word, sung in unison, the message of Nelson Mandela is perpetuated. In each melody thrown to the heights with an exaggerated vocal projection, the continuous struggle for freedom and equality between men is renewed, which the racial segregation imposed by apartheid in South Africa, for many years, tried to muzzle. In 2002, Soweto Gospel Choir, a group with more than 50 musicians, takes to the world a multiculturalism that is gaining expression in the eleven official languages that cross the country. Between the African gospel, the black spirituals and the reggae, the artistic vocation of a choir is defined, that in a still short time of life, has already gained two Grammys, an Emmy and the appointment for an Oscar. The Macau premiere of the choir in Soweto took place last night, with a concert at Mount Fortress. Hours earlier, some of his musicians had appeared to the press as ambassadors to a country where the music made them believe that they would one day be free.

“We are here to share our music and dance, our faith in God, to share everything that is happening in Soweto. Our choir is known to be diverse, we sing almost all kinds of music, perhaps because we share the stage with people like Stevie Wonder, Queen, Aretha Franklin, Jimmy Cliff, we try all styles. That’s why on our new album, ‘Faith’, we’ve included this kind of music, “begins by introducing Diniloxolo Ndalkuse, musical director of Soweto Gospel Choir.

It is also the legacy of Nelson Mandela that the choir says celebrate. The connection with one who was imprisoned by a regime of racial segregation, President of a South Africa who pushed for freedom, translates to the devotion that crosses the collective: “When we speak of Nelson Mandela, we speak of an icon, we speak of a man who fought for South Africa, we talked about someone who influenced the youth to focus on politics and education and what is South Africa. The first Grammy we won in 2007, we took it to him because we believe that it was with him that we should share the moment, so he could see what we do when we go abroad, “recalls Shimmy Jiyane, chorus master and choreographer. Shimmy also refers to the connection of the group to the Nelson Mandela Foundation, especially in the work that this develops with the children: “It’s how the choir is giving back to the community, it’s how we join it. When we go abroad, young people can see what we do and realize that they can do something like that. “

All present members grew even with Apartheid, a policy of racial segregation instituted in South Africa between 1948 and 1994. Shimmy Jiyane accounts for much that has changed since then, after the democratic elections won by the African National Congress under the leadership of Nelson Mandela: “We can travel. We can sing for many people all over the world. The country has hosted a world football championship, opportunities have opened up for everyone in the country, our music reaches out to other countries, music has become global, people can see what South Africa has to give. In our shows we sing in six languages, we introduce people to all those languages and the music they have never heard. “

“WHAT MAKES US BELIEVE THAT ONE DAY WOULD BE FREE IT WAS THE MUSIC”

In the song that spreads the gospels, the dimension of faith in the multiple readings to which the country is linked is revealed, says Siya, one of the singers: “South Africa is a very spiritual country, being diverse, with all these cultures, with each clan, being thus spiritual, each of us grew up in a different church. The gospel was our first language, we grew up with it, our parents and neighbors did it in different churches. That’s what gospel means to us. “

The music, another member of the group guarantees, was always there, even when the governor understood that not everyone should be granted the same dignity: “What made us believe that one day we would be free was music. When we did not know what would happen the next day, if we would be killed, what kept us positive about life was that we continued to sing, to believe. And when we sang, we sang gospel, “says Mulalo Mulovhedzi, also a singer and dancer.

Have you always fought for freedom through music, is it still for you to fight today? “For unity,” says Phumia Mkhumele

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About The Author

From the Great White North of Canada, Elaine is the owner and maintainer of SGF. Besides being a big-time Soweto Gospel Choir fan, she is passionate about world travel, technology, all sports and above all the great mangosteen fruit. Oh, and she can’t sing to save her life…one love! :)

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